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chuveiro

O rei da gambiarra

Já explico o chuveiro

Assim que eu e Ana Carlota nos casamos, comprei um chuveiro invocadão — que não é esse aí da foto. Era muito bom, o chuveiro. Saímos do Arouche, viemos para o meio da colônia armênia, o chuveiro veio junto. Não agüentou nem dois anos: casa antiga, fiação antiga, um dia o chuveiro deu um pipoco e morreu. Comprei outro (que também não é o da foto) e fui instalar. Tudo certo até eu ter a infeliz idéia de mudar o lugar do suporte do chuveirinho. Furei a parede e, claro, acertei um cano. Foi um furdunço: gritei pra Ana vir me ajudar, ela ficou tampando o furo com o dedo enquanto eu pegava uma escada para fechar o registro. Fiquei puto (eu fico muito puto quando faço alguma cagada, o que significa que eu vivo puto), andando de um lado pro outro pela casa pensando numa solução. De repente, eureca!: peguei um parafuso mais ou menos da largura da broca que tinha furado o cano, enrolei o bicho em veda rosca e meti o parafuso no furo da parede. Abri o registro e só saiu um fiozinho d’água por baixo da cabeça do parafuso. Com essa gambiarra, conseguimos tomar banho por dois dias, até que o encanador veio e consertou a burrada. No dia seguinte, fui comprar outro chuveiro — que, claro, não é esse aí da foto.

— ENTÃO QUE PORRA É ESSE CHUVEIRO AÍ DA FOTO, DIABO?

Ora, o título do post é “O Rei da Gambiarra”. Vocês não acharam que eu ia mesmo me autointitular rei de qualquer coisa, né?

Enquanto eu transformava o parafuso num mini-craque de múmia, lembrei do meu pai. Ele sim era o rei da gambiarra. O chuveiro da foto está na casa da minha mãe. Eu mesmo o comprei no Mappin em 1994 ou 95; paguei 180 reais. Era o chuveiro mais metido a besta da época.

O chuveiro antigo já estava nas últimas. Era um daqueles Lorenzetti de metal, sabe? Então. O cano do chuveiro ficava cada dia mais torto, tínhamos medo de que um dia caísse na cabeça de alguém. Até que um belo dia (meu pai falava muito isso, “até que um belo dia”) Seu Lindauro fez um furo no teto, enfiou um gancho no furo, passou um arame pelo gancho e amarrou a outra ponta no chuveiro. Chuveiro reto, problema resolvido. Só não estava lá muito bonito, então eu comprei esse chuveiro novo e meu pai se encarregou da instalação.

Ah, meus amigos, que gênio era meu pai… Ele se fechou no banheiro com o chuveiro novo e sua infalível maletinha de ferramentas. Dali a pouco saiu para buscar alguma coisa e eu fui espiar para ver como andava a instalação. O chuveiro já estava na parede, só que meio bambo. Seu Lindauro voltou, se fechou de novo. Quando saiu, todo orgulhoso, o chuveiro estava instalado e bem preso, graças a duas tampinhas de Coca-Cola que ele usou como calço.

Esse banheiro da casa da minha mãe deve ser o cômodo que mais viu as gambiarras do velho. Antigamente, o piso do banheiro era de granito branco e tinha uma rachadura que ia da porta até quase a parede oposta. O tempo passou, a fenda foi aumentando, minha mãe perdeu a paciência: “Lindauro, a gente precisa arrumar esse piso”. Agora vejam: na cabeça da minha mãe, “arrumar esse piso” era quebrar tudo, ver se tinha alguma infiltração, refazer o encanamento se necessário, instalar piso novo. Na cabeça do meu pai, era muito mais simples. Ele se fechou no banheiro (com a malinha, claro) e saiu lá de dentro radiante. Tinha preenchido a fenda no chão com Durepóxi. Ficou feio pra danar aquela tira cinzenta no meio do piso branco. Antes que minha mãe reclamasse, meu pai já foi avisando que ainda não estava pronto. Saiu, voltou, se fechou de novo. O que ele fez? Pois é: pintou o durepóxi de branco. Gênio.

Hoje eu ando pela casa da minha mãe e em todo canto vejo as gambiarras do velho: são varais com trinta remendos, móveis consertados com arame (ele adorava arame, sempre começava a solução de um problema com a frase “Se colocar um aramezinho aí…”), fios passando por ganchos no teto (outro preferido da casa). Domingo passado minha mãe me mostrou a porta de um dos armários da cozinha. A fórmica estava descolando, ela comentou com meu pai que precisavam consertar aquilo. Ela saiu pra fazer qualquer coisa e quando voltou viu o armário “consertado”: Seu Lindauro meteu dois pregos na fórmica e se deu por satisfeito. Deve ter sido uma das últimas gambiarras dele.

Dia desses o telefone deixou de funcionar. Tentei de tudo e nada, o telefone mudo. Fui lá fora e vi meu irmão podando a primavera que ameaçava invadir a rua. Numa facãozada mais afoita, cortou o fio do telefone — um fio que passa pelo meio das plantas, entra por baixo de uma telha solta e sai na tomada do telefone da sala; gambiarra de autoria minha e de meu pai. Eu subi no murinho, fiquei lá me equilibrando e remendando o fio. Naquela hora percebi, como poucas vezes percebi antes, o quanto eu e meu irmão somos parecidos com nosso pai: desastrados, gambiarreiros.

Gosto de pensar que um dia, quando todos nós já tivermo morrido, alguém vá morar na casa que era do meu pai. Acho que esse morador futuro vai encontrar algumas soluções improvisadas dele. O cara vai ver aquilo e pensar, “Pô, mas que serviço porco”, sem saber que a gambiarra era parte da sabedoria de Seu Lindauro. Meu pai sabia que tudo era provisório e que qualquer coisa definitiva era ilusão. Sendo assim, por que gastar tempo e dinheiro com soluções definitivas? Além do mais, que chato seria se meu pai resolvesse tudo do jeito certinho: hoje eu talvez não tivesse nada para me lembrar dele. Cada pedaço de arame naquela casa é uma história dele.

Ah, e muitos anos depois da história do piso meus pais finalmente conseguiram reformar o banheiro. Colocaram piso novo, encanamento novo, louças, box, vitrô. O chuveiro mudou de parede. Meu pai instalou. As tampinhas de Coca-Cola estão lá até hoje, sustentando o bicho.

Olivia

Os cães do sítio

UPDATE: Olívia já foi adotada faz tempo, mas há outros cães no sítio esperando um dono.

Conheçam Olívia:

Olívia, a primeira a ser adotada

 

A Olívia foi a primeira a arrumar uma família. Agora temos uma fila de vinte cachorros precisando de dono. Calma, vou explicar.

Meu sogro tem um sítio em Mairiporã. Há muitos anos o sítio é habitado principalmente por cães. Um cachorro aparecia na porta de casa: era tratado, vacinado e levado para o sítio. Mesma coisa para cães encontrados na estrada ou, como no caso da Olívia, “esquecidos” no sítio. Na época de maior população canina, 50 cachorros moravam lá. Hoje são 27.

Só a ração pra essa cachorrada toda custa 1.500 reais por mês. É impraticável: meu sogro é aposentado; os quatro filhos ajudam como podem, mas mesmo assim é difícil. Então Ana Cartola e seus irmãos decidiram reduzir o número de cães no sítio e estão montando uma câmara de gás.

Mentira.

O projeto é trazer um cachorro por vez para São Paulo, passar pelo veterinário, dar banho, castrar e arrumar um dono. Nossa meta é ter no máximo seis cães no sítio. Com a Olívia foi fácil: quem não quer um labrador dócil? Mas há outros cães lá, alguns de raça, a maioria vira-latas. São todos cães adultos. Contamos com a ajuda de Lele Siedschlag e sua rede de contatos; sem esse povo a Olívia ainda não teria um dono. Mas vamos precisar de toda ajuda que vier.

E como você pode ajudar? De várias formas. Você pode adotar um cachorro. Você pode divulgar o blog Cães do Sítio. Você pode mandar dinheiro, claro:



Toda ajuda é bem-vinda.

 

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Jesus, me chicoteia! – 10 anos

Às 10h24 do dia 7 de fevereiro de 2002, eu clicava pela primeira vez no botão “publish” do Blogger. O texto não era nada que se dissesse “oh, que primor!” — era só eu explicando que tinha começado a escrever um blog (que eu ainda nem sabia direito o que era) para que a Bárbara, minha ex-namorada, parasse de me aporrinhar com a idéia. Eu queria manter o tal do blog por uma ou duas semanas, depois parar de escrever e falar pra Bárbara: “Ó, achei uma merda”. Dez anos depois, aqui estou eu. Que coisa.

Não vou escrever um post todo sentimental e nostálgico sobre esses dez anos. Quem eu enganaria com isso? Este blog está morre-não-morre há tempos, mal dá pra dizer que é o mesmo JMC de, digamos, oito anos atrás. Mas — MAS — eu também não posso esquecer que mudei de profissão duas vezes em quatro anos, as duas vezes por causa do blog. Não posso esquecer que conheci um monte de gente legal, que fiz festas, que consegui hospedagem de graça em todo canto.

Não tem como esquecer que uma leitora é tão louca que até aceitou se casar comigo.

Passei muita vergonha neste blog: textos sentimentalóides, posições políticas equivocadas, um ateísmo arrogante e burro que custei a largar. Mas também tenho orgulho de muita coisa que escrevi, principalmente as mais idiotas. E não posso esquecer que o JMC serviu de terapia nos momentos mais difíceis; ainda serve.

Ah, e tinha um negócio de sátira da Bíblia também. Dia desses eu retomo.

Obrigado, Alê Félix e Jaime1 — a dupla que sempre bancou a hospedagem do blog, mesmo com minha insistência (cada vez menor) para pagar pelo serviço. Obrigado aos velhos e novos leitores.

Dez anos são uma vida. Na África, mas ainda assim.

 

1Jaime, Jaime, Jaimejaimejaimejaime… Vai falando.

terapia

Terapia-tapioca

Eu vou contar um negócio, mas vocês não podem me chamar de bicha. Ok?

Estou fazendo terapia…

 

EU FALEI PRA NÃO ME CHAMAR DE BICHA, CARALHO!

 

Então. Tô fazendo terapia. Acontece que morreu um monte de gente, aí aconteceram coisas no trabalho e eu acabei tendo um piripaque. Fui pro pronto-socorro, diagnosticaram crise de pânico (“Ué, doutor, mas eu trabalho no CQC…”, uma piadoca sem graça que me rendeu olhares estranhos). Deram lá um remedinho e falaram que eu precisava procurar um psiquiatra. Fui à psiquiatra e ela me receitou antidepressivos e terapia.

Logo de cara, achei a idéia uma merda. Sou a favor das pílulas da alegria, mas psicanálise sempre me cheirou a charlatanismo. Só que aí falei com um, falei com outro, muita gente me falou que era legal e eu pensei: “Tá, vamos tentar saporraê”. A psiquiatra me indicou uma amiga dela, marquei a consulta e fui lá.

Já na primeira consulta eu fiquei com vontade de não voltar mais. Contei o que estava acontecendo e falei que estava especialmente indignado por meu pai ter morrido tão novo, aos 66 anos. Os pais dele viveram até os 85. Alguns dos meus bisavós passaram dos cem. E aí ela bota a mão no queixo e comenta:

— Nossa, que família longilínea

Longilínea.

LONGILÍNEA.

Não consegui prestar atenção em nada mais do que ela disse aquele dia. Sempre que ela abria a boca, eu ouvia “Nossa, que família longilínea” e respondia mentalmente: “É LONGEVA, PORRA!”

Mesmo assim, voltei na semana seguinte. Falei dos meus interesses, falei do quanto gostava da Bíblia e tal. No final da sessão, ela disse:

— E agora você está chegando no seu Muro das Lamentações.

(eu olhando com cara de nada)

— Que é uma das passagens mais lindas, né?

(eu olhando com cara de “hein?”)

— Quando Cristo chega no Muro das Lamentações…

(eu olhando com cara de “calabocapelamordedeus”)

— Ele sofre, mas é o momento em que ele se encontra consigo mesmo.

— É… — (olhando com cara de “Pai, perdoai-a…”)

Com coisas assim eu fui perdendo o interesse pela terapia. Inventei desculpas para não ir. Quando ia, falava só de questões comezinhas (comezinhas!): problemas no trabalho, planos para o fim de semana, a castração do cachorro. E sempre qualquer coisa que eu dizia ela transformava numa analogia e esticava essa analogia até não poder mais. Uma vez eu contei uma história pra ela que eu não posso contar pra vocês porque prometi segredo à protagonista. Basta dizer que envolvia uma catota que acidentalmente caiu do nariz dessa pessoa no banco do meu carro. Essa pessoa ficou com medo de levar bronca e eu fiquei mal por isso. Contei essa história e depois entrei em outros assuntos. A cada coisa que eu dizia, ela comentava:

— Está vendo? Essas são as melecas que vão caindo no seu caminho. Você se envergonha, mas talvez fosse melhor admitir, “Olha, derrubei essa meleca aqui”.

Na semana seguinte, contei pra ela o que estava me incomodando na terapia. Falei da família longilínea, do Muro das Lamentações, das analogias levadas longe demais. Ela riu, pediu desculpas, ficou com vergonha. Só que tudo continuou mais ou menos a mesma coisa, então há três semanas eu liguei para avisar que não ia mais.

— Você não vem hoje ou não vem nunca mais? — perguntou a recepcionista.

— Não vou nunca mais.

— E você quer que a doutora ligue para conversar com você?

— Se ela quiser…

Ela não quis. A única reação dela foi depositar os últimos dois cheques (além de tudo, a mulher era desorganizada e deixava meus cheques dando bobeira na gaveta).

Bom, então fui procurar alternativas. Um velho amigo me recomendou muito a terapeuta dele, então telefonei, marquei, fui. Que diferença! Essa nova é uma japonesa miudinha, sorridente, que fala pelos cotovelos.   Ao final da primeira sessão, ela se despediu dizendo:

— Se você resolver continuar mesmo, semana que vem eu quero que você me traga sonhos.

Fiquei olhando para ela durante dois segundos. Por um instante, achei que ela estivesse me pedindo para passar na padaria e comprar sonhos pra ela. Achei que era muita cara-de-pau, então refiz os cálculos e concluí que ela estava falando de sonhos mesmo. Contei isso, ela riu. Pessoas que riem são legais.

Amanhã é a terceira sessão com a japa. Ela escuta o que eu falo, parece que entende e diz coisas que fazem sentido. É quase como se eu tivesse, sei lá… amigos.

(Ai, gente, tô dramática)

Então é isso: estou tomando antidepressivos, fazendo terapia e gostando. Só falta agora comprar um iPhone, começar a me interessar por rapazes e pronto: estou enturmado aí com a geração de vocês (Y, Z, N… sei lá que letra que vocês são agora).

 

 

 

 

O encantador de cães e o pinto do touro

Depois de adotar um cachorro, a maior preocupação minha e de Ana Cartola foi encontrar um adulto responsável que cuidasse dele. Não encontramos ninguém disposto a fazer isso de graça, então decidimos buscar ajuda especializada. Baixamos a primeira temporada do Encantador de Cães e compramos livros desse cara e do Alexandre Rossi, o Dr. Pet. Vimos dois episódios da série, Ana Cartola começou a ler o livro do Dr. Pet e eu peguei o livro de Cesar Millan, o Fabio Puentes do mundo canino.

Logo percebemos a diferença básica. O livro do Dr. Pet se baseia em recompensas e punições. Nada de bater ou castigar o cachorro, só coisas para desencorajar certos comportamentos. Por exemplo: se seu cachorro arranca as roupas do varal quando você não está em casa, você pode colocar biribinhas (ou estalinhos, como dizem as pessoas sem cultura) sobre os prendedores de roupa. O cachorro puxa a roupa, começa a estourar biribinha pra todo lado, ele acha que Deus tá castigando e pronto. O Dr. Pet também ensina a fazer brinquedos caseiros, como esse aqui:

 

Ah, mas o livro do Encantador de Cães é outra pegada. Cesar Millan passaria tranqüilamente por imigrante ilegal, não fosse o botox:

"Dorme, dorme, dormedormedorme..."

Ele tem cara de picareta e é picareta mesmo. Quase tudo que ele diz se baseia na sua “energia” e na “energia” do cachorro. Você precisa transmitir o tempo todo uma “energia calma-assertiva” para que o cachorro entre num modo de “energia calma-submissiva”. Se você não quer que o cachorro passe por um determinado lugar, você cria uma parede invisível com a sua energia para bloquear a passagem. Se você não quer que o bicho pegue um objeto, você toma posse desse objeto usando a sua energia. Ele diz que a multidão de cães abandonados será a grande responsável por aumentar o karma ruim da nossa espécie. Péssimas energias. Dá vontade de ligar o cu dele no 220, pra ele ver o que é energia.

Mas nem tudo que ele fala é bullshit (algumas são bulldick; já falo disso). Nas poucas vezes em que ele resolve ser específico, dá dicas muito boas de como se comportar perto do cachorro para não criar um bicho ansioso, doido e mal humorado dentro de casa (basta eu). Ele recomenda chamar a atenção do cão usando primeiro o sentido mais aguçado dele, que é o olfato. A seqüência nariz-olhos-orelhas funciona bem: olfato primeiro, depois visão e audição por último. E é aí que chegamos ao bully stick, que é a razão de ser deste post.

Desde o começo do livro ele fala no tal bully stick, um tipo de petisco que ele carrega pra todo lugar que vai. Achei que fosse um ossinho, essas coisas, mas ele explica logo de cara: o bully stick é um pênis de touro desidratado. (Não, os caras não vão atrás de touros desidratados para cortar o pau deles. É o pênis que é desidratado depois de cortado. Prestem atenção.)

A cara de Cesar Millan não engana, ele curte mesmo um pinto. E quase toda página do livro há uma referência ao bully stick. Ele usa o pinto de boi para atrair a atenção dos cães pelo olfato, para conduzi-los, para acalmá-los. Gostei da idéia e resolvi experimentar o pinto. Procurei no Google, não achei nenhuma referência ao tal negócio aqui no Brasil. “Ainda não somos evoluídos e seguros a ponto de oferecer caralho seco aos nossos cães”, pensei eu. Ou então, pensei em seguida, talvez o negócio tivesse outro nome aqui, um eufemismo ainda mais obscuro. Como a internet não me ajudava a achar o produto, pedi ajuda a Ana Cartola. Ela ia à Cobasi mesmo, podia procurar o tal negócio lá.

Duvidei que ela fosse encontrar bully stick na loja. Eu já tinha pesquisado tanto e não tinha nem pista de onde comprar o bagulho no Brasil. Então me surpreendi quando recebi um SMS: “Adivinha o que eu achei aqui? VERGALHO BOVINO!” Em vez de inventar um jeitinho simpático para nomear o produto, os brasileiros resolveram chamar o negócio pelo nome mesmo. Fiquei espantado por minha esposa ter encontrado o que eu tinha procurado tanto e sem sucesso. Depois raciocinei: se ela consegue achar o meu, não vai achar o do touro, que é grandão?

À noite ela chegou em casa e demos o vergalho bovino para o Rondeli. Ainda não tinha visto ele tão enlouquecido com um brinquedo novo. Ele pegou o petisco, levou para um canto e passou a nos ignorar completamente; fomos dormir e ele nem ligou. Rondeli passou a noite inteira com o pinto na boca. Já pode trabalhar na televisão.