Alguns mortos dão mais ibope que outros

É engraçado. Um ciclista morre atropelado, todo mundo se revolta. 50 mil pessoas são assassinadas no Brasil todo ano e ninguém fala nada. Será porque a maior parte desses 50 mil é de moleques meio pretos que moram lá na casa do caralho? Não, claro que não. Você sabe como é a periferia, sabe como é a vida, está fazendo sua parte para mudar o mundo. Você aprendeu tudo ouvindo o Criolo. Você usava sacolas retornáveis muito antes de tirarem as sacolinhas de plástico do mercado, é um hipster da ecobag! Você vai trabalhar de bicicleta!

Talvez esteja aí a solução: vamos incentivar o uso da bicicleta na periferia. Vamos estimular o cara sair lá do Capão Redondo ou de São Miguel Paulista e andar 30, 40, 60 quilômetros por dia de bicicleta até o trabalho. É isso que vocês querem, não é? Todo mundo indo trabalhar de bicicleta. E assim quando matarem um moleque desses com um tiro na cabeça, vocês não vão mais ignorar. Mataram um ciclista! Não podemos aceitar!

Quem sabe, né?

9 comments

  1. Wellington Alves

    Era só o que faltava… até este blog está sendo patrulhado pelos petralhas!

    Não dá mole mesmo marco, esse pessoal é pago apenas para patrulhar áreas de comentários de tudo quanto é site.

    Chicote neles!

  2. Danilo Neves

    Esse é um problema que só o tempo pode resolver. Por tempo, por favor, entenda-se: as muitas e pequenas iniciativas que brotam de esporádicas demonstrações de vontade política. Não se pode trazer a periferia ao centro. Com tempo, se leva os serviços que oi centro oferece à periferia, assim como oportunidades de emprego. Roma não se fez em um dia. E por emprego, entendam emprego mesmo, digno e capaz de oferecer alguma segurança, não o subemprego que temos no país. Mais, e final: não se gera emprego em um país que onera umaq folha de pagamento em 100%. Se metade o ônus fosse pago ao empregado, bem. Mas o dobro disso é pago ao governo, que não oferece nada, ou quase nada em troca de tanto capital. É isso aí.

  3. Fábio Roberto Teodoro

    Pedalar 30km é moleza, 60km é foda. Até 20km gasta menos tempo do que de carro (em média, no ambiente urbano).

    Mesmo com as condições cicloviárias precárias do Brasil ainda é mais arriscado ser sedentário do que ser ciclista :P

  4. Mauricio

    Calma lá Batman! Não é bem por aí… Marcurélio, vc está sendo muito simplista. Não vou posar de cicloativista chato, até pq eu uso mais o carro do que a bike (ultimamente por problemas de saúde que me impedem de andar em 2 rodas). Mas ao mesmo tempo posso falar sobre, pois eu uso carro, moto, bike e busão nos meus deslocamentos, alternando de acordo com a necessidade que meu trabalho impõe. A bike não é a solução de todos os problemas, é obvio, e tão pouco tem a ver com os assassinatos que vc comentou. É só mais uma solução pro transito caótico de SP e que deve ser usada em CONJUNTO com outras iniciativas. Já foi estudado que a bike é um otimo transporte para trajetos curtos (não lembro quantos Km de cabeça) mas é muito claro que não são os 30, 40 ou 60Km que vc citou. A bike é pra se integrar com o transporte coletivo, é pro cara pedalar um pouco desde a casa dele lá na PQP até um terminal de onibus e lá deixar a sua magrela num bicicletário publico, com segurança, e ir de busão o restante do trajeto. Ou então, pros mais afortunados, pedalar até uma estação de metro, embarcar com a bike no ultimo vagão e fazer a parte longa do trajeto. Pra que isso? simplesmente pro cara não ter que andar a pé da casa dele até o terminal (geralmente é longe) ou então ter que se aventurar espremido numa van pilotada por um cara de mau humor com a vida e totalmente irregular. O que é uma merda nessa historia toda (puxando o gancho pro teu texto) é que o “todo mundo” a quem vc se refere é o mesmo “todo mundo” que vota nos mesmo políticos sempre, que acha que participante do BBB é celebridade, que se revolta com um monte de outras porcarias e deixa de se revoltar com o que é importante. Então, em relação a revolta é melhor nem esquentar a moringa. Nosso problema é bem mais embaixo… o moleque meio preto vai se matar de trabalhar – ou roubar – pra comprar um carro 1991 pq bike é coisa de pobre. Concordo que num país sem infra de transporte o carro é uma alternativa pra quem precisa se locomover, mas a vontade de se aparecer é grande. Abs

  5. Giovanni Bassi

    Marco, olha só… reclamar da morte do ciclista não impede você de reclamar da morte de alguém da periferia. Você pode fazer as duas coisas.
    Eu passei a andar de bike, e dada minha realidade, quando alguém morre de bike, eu sinto muito perto. Porque eu sinto isso todo dia. Bike pra mim é meio de transporte.
    Eu reclamaria da mesma forma se entrasse em contato com uma morte na periferia. No entanto, eu não me comunico tanto com esse universo. Isso é culpa minha? Um pouco. Eu entrava em contato com esse universo mais frequentemente, eu inclusive já trabalhei por muitos anos dentro dele pra ajudar no que podia. E ajudei. Só que as notícias tristes entristessem, trazem pra baixo. E eu já cheguei a ficar muito mal com as mortes da periferia. Então agora eu não fico mais, evito um pouco o tanto de tristeza que vem de lá.
    Você acha errado?
    E na boa, entendo de onde pode estar vindo sua tristeza. Mas atacar os outros por causa de algo que nos afeta profundamente não vai resolver… melhor entrar em contato com os próprios sentimentos, e buscar paz.
    Um abraço!

  6. Moacyr Teixeira

    Marcus, te acompanho desde o emotionrélio (achou que ninguém mais lembrava né rsrsrs) e digo o seguinte: Atualmente, vou trabalhar de bicicleta (4 Km prá ir, 4 Km prá voltar) e de quebra levo minha marmita de casa.

    Mas por qual motivo?

    Simples, R$ 420,00 em média economizados por mês em alimentação e passagem. Paga a prestação mensal do carro que tiro da garagem 2 vezes por mês…

    Ando de bike em média 350Km ao mês por puro prazer e prá perder uns quilinhos tbém, mas acho uma baita de uma hipocrisia ver burguês andando de bike que custam 2,3,4 mil reais e querendo que um pobre coitado que mora lá na PQP venha trabalhar de bike, ainda mais com a educação do motorista paulista…

    Já as “passeatas e as bicicletadas”, deixa a burguesia pensar que está trabalhando em prol do cidadão. Depois da bicicletada eles voltam pras mansões no Morumbi e pedem aos seus empregados, que encaram umas 2 ou 3 horas de busão todo dia, prá fazer um escalda pés neles rsrsrs